quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Literatura

"As 100 Melhores Crônicas Comentadas de João Saldanha"
As crônicas foram selecionadas pelo historiador Alexandre Mesquita após a leitura de todo o acervo disponível sobre João Saldanha entre 1960 e 1990, do jornal Última Hora, passando pelo O Globo, Placar, até o Jornal do Brasil. De fora apenas o período de 1966 até 1970, reunidas por Raul Milliet Filho no livro Vida que segue (Nova Fronteira, 2006).

João Alves Jobim Saldanha nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul em 03 de julho de 1917 e morreu em Roma, na Itália, aos 72 anos, em 12 de julho de 1990

América Latina


Literatura

"A Ditadura Militar no Brasil: Repressão e pretensão  de legitimidade"

Compreender a forma de construção, desenvolvimento e condição do processo ditatorial é o problema central deste livro. O mesmo tem como proposta demonstrar que, tanto no plano objetivo quanto no subjetivo, encontram-se fartos elementos para caracterização do período de 1964 a 1984 como uma ditadura e não como uma situação autoritária. Assim, além de representar vasto instrumento de pesquisa, este livro é também leitura importante para quem deseja conhecer mais sobre a história deste país

1964/1985

Ditadura militar, regime militar, governo militar, revolução democrática, anos de chumbo...
Foi o regime instaurado no Brasil em 01º de abril de 1964 e que durou até 15 de março de 1985, sob comando de sucessivos governos militares. De caráter autoritário e nacionalista, teve início com o golpe militar que derrubou o governo de João Goulart, o então presidente, que havia sido eleito vice presidente, juntamente com Jânio, após muita resistência dos militares, João Goulart, que estava em viagem à China, assumiu o governo o Quadros, eleito presidente em 1961. Com a renúncia de Jânio em 25 de agosto de 1961, assumiu o governo em 07 de setembro. Apesar das promessas iniciais de uma intervenção breve, a ditadura militar durou 21 anos. 

Esse movimento teve início em Juiz de Fora, sob o comando do General Mourão Filho, então comandante da 04ª região militar e do governador de Minas da época, Magalhães Pinto.

O regime terminou quando José Sarney assumiu a presidência, o que deu início ao período conhecido como "Nova República". Sarney havia sido eleito vice presidente, em votação indireta em 15 de novembro do ano anterior, na chapa encabeçada por Tancredo Neves. Tancredo ficou doente em 14 de março de 1985, um dia antes da posse, e morreu em 21 de abril do mesmo ano.  

- Ranieri Mazzilli (de 02 de abril de 1964 a 15 de abril de 1964 +13 dias;)
Humberto de Alencar Castelo Branco (de 15 de abril de 1964 a 15 de março de 1967 =02 anos e 334 dias);
Artur da Costa e Silva (de 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969 = 02 anos e 169 dias);
Pedro Aleixo, vice presidente de Costa e Silva, que com a morte do presidente, foi impedido de assumir;
Aurélio de Lira Tavares (General), Augusto Rademaker (Almirante) e Márcio de Sousa Melo (Brigadeiro) - Junta Governativa Provisória (de 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969 = 60 dias);
Emílio Garrastazu Médici (de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974 = 04 anos e 136 dias);
Ernesto Geisel (de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979 = 05 anos);
- João Baptista de Oliveira Figueiredo  (de 15 de março de 1979 até 15 de março de 1985).
Obs : Paschoal Ranieri Mazilli era deputado federal pelo estado de São Paulo (nascido na cidade de Caconde) e presidente da câmara. Com a deposição de João Goulart, assumiu a presidência até que o congresso, de forma indireta, elegesse o novo presidente.

Literatura

"Brasil: Nunca mais"
Organizada por Dom Paulo Evaristos Arns (1921/2016), a obra é uma investigação sigilosa no campo dos Direitos Humanos sob a Ditadura. É uma radiografia inédita da repressão política que se abateu sobre milhares de brasileiros considerados pelos militares como adversários do regime inaugurado em abril de 1964. É também a anatomia da resistência.

Um grupo de especialistas dedicou-se durante 08 anos a reunir cópias de mais de 700 processos políticos que tramitaram pela Justiça Militar, entre abril de 1964 e março de 1979. O resumo desta pesquisa está neste livro. Um relato doloroso da repressão e tortura que se abateram sobre o Brasil.

Imagem que não pode ser esquecida


Literatura

"Abaixo a ditadura!" 

Esse foi o grito de milhões de brasileiros que já não aguentavam mais essa terrível forma de governo instaurada no Brasil a partir de 1964 e que durou duas décadas. Com este livro, as crianças poderão aprender o que foi esse período e ver como a vovó da história aqui contada usou sua dentadura contra tamanha opressão. Escrita por Cláudio Martins, a obra faz um retrato do período que dominou o Brasil de 1964 a 1985.

Imagem que não pode ser esquecida

Fotografia mais famosa da Guerra do Vietnã completou 45 anos  
Na imagem, a menina Kim Phuc vai ter sempre 09 anos de idade, gritando "Muito quente! Muito quente!" enquanto corre em desespero pela rua que sai de seu vilarejo no Vietnã. Nua após sofrer ferimentos de explosivo napalm em um bombardeio em 1972, ela vai para sempre ser uma vítima sem nome.  A imagem mais famosa da Guerra do Vietnã, feita pelo fotógrafo Huynh Cong "Nick" Ut, da Associated Press, completou em junho, 45 anos.  Phan Thị Kim Phúc nasceu em Trảng Bàng, no Vietnã, em 02 de abril de 1963, e hoje aos 54 anos, casada e mãe de um filho, vive em  de Toronto, no Canadá e é embaixadora da boa vontade da Organização das Nações Unidas (ONU), e ajuda vítimas de guerra

Sequelas 
Kim Phuc teve 55% do seu corpo queimado, ficou 14 meses hospitalizada, passou por várias cirurgias e tem dores que a acompanha por toda vida. 

A Guerra do Vietnã    
A Guerra do Vietnã foi um conflito armado que aconteceu no Sudeste Asiático entre 1959 e 1975, o mais longo depois da Segunda Guerra Mundial. A República do Vietnã (Vietnã do Sul),  com a capital em Cidade de Ho Chi Minh (ex-Saigon), e os Estados Unidos entraram em guerra com a República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte), com capital em Hanói, que teve apoio logístico da China, Coreia do Norte e principalmente da União Soviética. Os motivos da guerra foram políticos e ideológicos, com os Estados Unidos apoiando o grupo capitalista e a União Soviética ao lado dos socialistas.  Segundo estimativas, de três a quatro milhões de vietnamitas dos dois lados morreram, além de dois milhões de cambojanos e laocianos. Mais de oito milhões de soldados americanos lutaram na guerra w cerca de 58 mil soldados morreram o conflito.

O Vietnã hoje
Vietnã ou Vietname
Localizado no leste da península da Indochina, no Sudeste Asiático, faz fronteira com a  China (ao norte), com Laos e com o Camboja (a oeste), com o golfo da Tailândia (a sudoeste) e com o mar da China Meridional (a leste e sul). 
A capital é Hanói, segunda maior cidade com 6.699.700 habitantes e a Cidade de Ho Chi Minh é a mais populosa, com 7.981.900 habitantes. O Vietnã possui uma população hoje estimada em 100 milhões de habitantes.

Literatura

"Onde Foi que Vocês Enterraram Nossos Mortos?"
Durante 26 anos, o autor, o jornalista Aluízio Palmar procurou saber o que havia acontecido com o grupo de Onofre Pinto que desapareceu em 12 de junho de 1974 após ter entrado no Brasil. O que  Aluízio não sabia que a chave para desvendar um dos mistérios mais bem guardados do período ditatorial estava bem perto dele, do outro lado do Rio Iguaçu! E o mais inusitado é que o autor só descobriu isso depois de passar tanto tempo pesquisando, remoendo, querendo saber as circunstancias das mortes e a localização da cova onde foram enterrados cinco brasileiros e um argentino que insistiram em continuar com a luta armada contra a ditadura após a derrota das organizações guerrilheiras. Buscar Onofre, Lavéchia, Joel, Daniel, Victor e Enrique virou uma obsessão desde que Aluízio Palmar voltou do exílio em 1979. Ás vezes pensava que essa idéia fixa era movida pela curiosidade de saber como teria sido sua própria morte caso  tivesse aceitado o convite do ex-sargento Alberi Vieirados Santos para integrar àquele grupo. O jornalista faz ainda um resgate histórico das lutas sociais ocorridas nas décadas de 1960, 1970 e 1980 nas regiões oeste e sudoeste do Paraná. Para tanto ele se respalda em sua memória e nos documentos pesquisados nos arquivos da delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu e da Itaipu Binacional.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Campeonato mineiro 2018

                 Jogos do Tupi
17/01 - 21:45h - Cruzeiro e Tupi - Belo Horizonte
20/01 - 16:00h - Tupi e Uberlândia - Juiz de Fora
24/01 - 19:30h - América e Tupi - Belo Horizonte
27/01 - 16:00h - Tupi e Caldense - Juiz de Fora
04/02 - 16:00h - Villa Nova e Tupi - Nova Lima
10/02 - 16:00h - Tupi e CAP Uberlândia - Juiz de Fora
18/02 - 16:00h - URT e Tupi - Patos de Minas
24/02 - 16:00h - Tupi e Atlético - Juiz de Fora
03/03 - 16:00h - Tupi e Boa Esporte - Juiz de Fora
07/03 - 20:00h - Tombense e Tupi - Tombos
11/03 - 16:00h - Tupi e Democrata - Juiz de Fora.

Literatura

"1964 - O Golpe"
Mais do que um relato minucioso, a obra é um retrato dos tormentosos anos em que o Brasil debatia a reforma agrária, buscando o futuro em meio às disputas entre esquerda e direita, acirradas pelas paranoias da Guerra Fria. Flávio Tavares testemunhou tudo isso e, como jornalista político em Brasília, conviveu com civis e militares envolvidos nos conluios, tramas e tramoias que desembocaram na derrubada de João Goulart. Acompanhou no Palácio do Planalto os derradeiros momentos do presidente já em fuga. '1964 - o Golpe' reconstrói tudo em minúcias e revela como os Estados Unidos financiaram e apoiaram a conspiração mobilizando até a frota naval pelo Atlântico, na Operação Brother Sam, em apoio aos golpistas. E como depois exigiram do Brasil uma milionária 'indenização' pelo deslocamento da esquadra. Os documentos do governo dos Estados Unidos, aqui mencionados ou transcritos na íntegra, mostram como as fantasias do embaixador norte-americano exacerbaram os medos dos conservadores brasileiros e construíram o golpe ao longo de dois anos e meio.

sábado, 11 de novembro de 2017

O "caso Joelma"

Familiares e amigos fazem protesto em Leopoldina clamando por justiça
Manifestantes de um movimento liderado por familiares e amigos, inconformados com a morosidade da polícia na solução do assassinato de Joelma Montes Ferreira Basílio, marcaram para esta segunda-feira, 13 de novembro, às 17 horas, na praça Félix Martins, no centro de Leopoldina, um ato de protesto e de cobrança de solução. Os manifestantes, inicialmente, queriam se reunir em frente a delegacia de polícia e esperavam ser recebidos pelo delegado regional e pelo delegado responsável pelo inquérito. Segundo os organizadores, o objetivo do ato é mobilizar a sociedade leopoldinense sobre os casos de violência nos últimos anos na cidade e que não tiveram solução, e por consequência, as punições dos culpados.

O CRIME
Joelma Montes Ferreira Basílio, na época com 41 anos, foi encontrada morta na manhã do dia 18 de outubro de 2016 dentro de casa,  no bairro Quinta Residência.

Segundo a Polícia Militar, Joelma Ferreira Montes Basilio foi encontrada morta pelos seus dois filhos, um de 15 e outro de 19 anos, em seu quarto onde estaria dormindo.

No horário da morte de Joelma os filhos estariam dormindo no sofá da casa, conforme eles próprios disseram à polícia, acrescentando ainda não terem ouvido nenhum barulho até o momento em que acordaram, por volta de 10h. Logo depois, às 10h20, como sabiam que a mãe não tinha costume de dormir até tarde, resolveram ir até o quarto dela e a encontraram deitada e ensanguentada. Eles pediram socorro e solicitaram que um amigo avisasse ao pai sobre o ocorrido.  

Duas unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) compareceram ao local e constataram o óbito. A Polícia Militar isolou o quarto até a chegada da Perícia Técnica da Polícia Civil de Leopoldina, que informou que a vítima teria sido atingida na cabeça e no rosto por algum objeto "perfuro cortante".. 

Em seguida o corpo de Joelma foi encaminhado até o Instituto Médico Legal de Leopoldina e liberado posteriormente para os familiares providenciarem o sepultamento.

Outros casos

O caso Joelma não é o único sem solução em Leopoldina. Existem os assassinatos sem solução de Fernando Barcelos, Maria Filomena, Auri (esse, desde 2007) e outros casos sem inquérito concluído.

CONSIDERAÇÕES:
A polícia civil de Leopoldina informou que 75% dos casos de assassinatos na cidade são solucionados, mas vai aqui um questionamento: E os outros 25%? Aquele tempo de delegados autodidatas, práticos ou indicados já possou. Na atualidade, presume-se, que os policiais são homem preparados e capacitados para solucionar as questões pertinentes.

Literatura

“Janelas da Vida” 
A obra, relata uma história que começou lá nos idos de 1862 com a chegada de Joaquim Felisberto ao Córrego dos Macacos, localidade que fica na divisa entre os distritos de Dom Lara e Dom Modesto, em Caratinga, no leste de Minas Gerais. Joaquim viria a se tornar “Capitão Felisberto”, título que conquistou pela influência que passou a ter na região. Um de seus descendentes, Josephino Gonçalves, neto do capitão, se orgulha tanto de fazer parte dessa história que resolveu transformá-la em livro. O livro remonta o modo de vida e os feitos de seus antepassados, através de pesquisas e do que o autor escutou de alguns familiares

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Nhô Turiba (1903/1972)

Salvador de Moura Fontes (Nhô Turiba)

Nasceu em Juiz de Fora, em 10 de março de 1903, filho dos portugueses, Joaquim de Moura Fontes e Balduína Pires Fontes.  Adotou o pseudônimo artístico de “Nhô Turiba” em homenagem a um ex-escravo de nome Turíbio que residia com uma família vizinha a sua, pelos idos de 1906/08, na Rua Hipólito Caron, centro de Juiz de Fora.  Foi o precursor do gênero radiofônico sertanejo e dos primeiros encontros de duplas caipiras na cidade e região. 

O programa sertanejo “Alma de Caboclo” foi pioneiro do gênero no rádio de Juiz de Fora. Sua primeira edição se deu no dia 25 de setembro de 1952, na Rádio Tiradentes. Com a extinção da Rádio Tiradentes o programa passou a ser apresentado, alternadamente, nas antigas Rádios PRB-3 e Industrial permanecendo no ar, por mais de 20 anos.  Sob o mesmo título, “Alma de Caboclo”, o radialista escreveu e editou, no ano de 1963, um livro de poesias sertanejas.

Escreveu crônicas e artigos em diversos periódicos da cidade de Juiz de Fora, dentre os quais no “O Lince" e na "Gazeta Comercial". Apresentou ainda na Rádio Industrial, no horário de 17/18h os programas Retreta e Ramalhete Musical. Retreta era voltado para bandas de músicas e o Ramalheta, para valsas, em especial do violonista Dilermando Reis. No rádio, Nhô Turiba serviu de inspiração para os irmão Pitangal (Antonio de Paula Neto) e Pitangui (João Alves de Paula) e para Waltinho França (Argemiro Walter França), o Waltinho Pontinha da Agulha. Salvador de Moura Fontes (Nhô Turiba) morreu em Juiz de Fora, aos 69 anos, em 06 de dezembro de 1972.

Literatura

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

FCV - Fundação Cristiano Varella

Hospital Oncológico


Esse importante hospital é um legado que o Lael Varella vai deixar para muitas gerações vindouras. A importância dele já extrapolou as fronteiras de Muriaé e região. Basta prestar a atenção nas ambulâncias que chegam e que saem do pátio, com placas, não só de cidades mineiras, mas dos estados do Rio e Espírito Santo, além de empregar aproximadamente mil colaboradores, o que, para uma cidade de aproximadamente 100 mil habitantes é um número considerável.

A expressão "hospital do câncer" é uma expressão que me incomoda. No meio médico-hospitalar a palavra câncer raramente é citada e sim, a abreviatura CA. Mesmo sendo uma enfermidade real, ela é tratada com cuidado, tanto que a especialidade médica que a trata é a Oncologia. Quando eu tiver a oportunidade de encontrar os membros da direção da Fundação Cristiano Varella, vou sugerir que mude o nome fantasia para HOSPITAL ONCOLÓGICO de Muriaé.


O idioma maltratado

Pobre, Rica Língua Portuguesa! 
por Massaud Moisés*

O povo que respeita sua língua ainda é capaz de sustentar certos valores e defender certos princípios. Quando a língua é maltratada, com vem acontecendo, a própria comunicação das idéias, das informações e do sentido das coisas começa a se alterar. Quando o povo começa a usar o onde e o aonde nos lugares mais esquisitos ; quando começa a usar o de que em todas as posições possíveis e imagináveis, é porque a língua já perdeu muito de sua força de expressão. O estudante de português tem um álibi: esta é a língua que eu falo, com ela consigo me comunicar, com ou sem erros. E acha então que pode desleixar. Estuda, quando estuda, porque o vestibular cobra, o concurso público cobra. Já ao estudar uma língua estrangeira, o cidadão procura domina-la ao máximo e da melhor forma. As pessoas não gostam de ser apanhadas em erro de inglês, francês, alemão. Podem passar uma imagem de ignorância . Já o português... Quando a lingüística vem e diz que o erro não existe, reforça o álibi. A lingüística no ensino secundário deu apoio às pessoas que estavam já maltratando o português desde há muito tempo, ou que começaram a maltrata-lo. Por que o professor não de dizer “não vou ensinar nada, o erro não existe”? Até que chegamos a esta coisa que existe aí, de querer salvaguardar, segundo dizem eles, a linguagem falada pelas pessoas mal-informadas da periferia. Como se democratizar a ignorância fosse democracia, quando é exatamente o oposto. Então para que a escola?  A escola serve exatamente para ensinar a língua que não é a falada pelos que não tem escola. Ensinar a língua que está nos livros dos maiores de sua literatura – a língua, enfim, que está nos depósitos de cultura. A escola tem de dar ao estudante a chave desses patrimônios da língua. Se não for isso, para que ensinar o português no Brasil, o inglês na Inglaterra, o francês na França? A progressiva deterioração da língua portuguesa no Brasil tende a levar à descaracterização, à perda da própria identidade. Outro álibi: dizer que o português que se fala em Portugal é outra coisa, a nossa é a língua brasileira. Eles não admitem que isto aqui seja um dialeto do português de Portugal, mas um única língua. Não, é outra coisa, dizem eles, e essa outra coisa acaba sendo esse português abastardado de todos os dias. Aí entra a lei do mínimo esforço. Não há erro, é outra língua. Ora, então os professores de Português podem acomodar-se. Ganham uma miséria mesmo... É um círculo vicioso. Mas o professor de verdade deve prosseguir na luta. Esta luta está, sim, consumindo todas as energias dos professores. E, o que me parece pior: está consumindo todo o seu ideal.
*Massaud Moisés é professor e escritor

Literatura

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Futebol

A EXCURSÃO DO ARSENAL F.C. AO BRASIL EM 1949



O Arsenal chegou ao Rio de Janeiro com uma fama gigantesca, tratado como um grande time, de um clube vencedor e que revolucionou o futebol com o sitema de jogo WM. Os ingleses, muito antes de chegarem ao Rio de Janeiro, eram alvo de inúmeras reportagens por parte da imprensa, e ao chegarem receberam tratamentos de "superstars".

O resultado, claro, não poderia ser outro : rendas recordes e públicos enormes para os padrões brasileiros pré-Era Maracanã.

A imprensa de então, exagerada como as de décadas anteriores no Rio de Janeiro, atribuindo públicos fantásticos que não cabiam no Estádio de Laranjeiras (no máximo alguma coisa mais do que 30.000 presentes, com a grande maioria de pé), nem em São Januário, chegou a estimar em 60.000 o público da primeira partida contra o Fluminense, no Estádio do Vasco. Para isso, deve ter contribuído, em décadas marcadas por extremo nacionalismo e disputas ideológicas entre os países, o fato de públicos na Europa (principalmente na Grã-Bretanha), e mesmo na Argentina e Uruguai, ultrapassarem em muito os padrões brasileiros. Daí, os arroubos nacionalistas de antigamente, que se percebem claramente hoje.

Um ano antes. o Southampton chegou igualmente tratado com muita idolatria, mas a derrota, logo no primeiro jogo, por 4 a 0 para o Fluminense, diminuiu o impacto nos jogos seguintes, mas desta vez, contra o Arsenal, o início da história seria diferente, provocando grande expectativa, jogos mais ríspidos, e mudança na concepção de certos aspectos do jogo brasileiro, a partir daí, conforme se pode ler por exemplo no livro UM JOGO TOTALMENTE DIFERENTE!, do jornalista inglês Aidan Hamilton, mas o enfoque deste estudo, é a grande presença de público para os padrões nacionais, mas principalmente cariocas, já que os paulistas desde 1940, tinham públicos similares no Pacaembu, até maiores, embora não rendas como essas.

- Estudo dos públicos na excursão do Arsenal de 1949 :

- As rendas das partidas :

- Para o primeiro jogo da excursão, os ingressos de arquibancada e de geral custaram Cr$ 25,00, o que calculando o público a grosso modo, dividindo a renda pelo preço dos ingressos de arquibancada e de geral, daria cerca de 39.780 pagantes, fora os não-pagantes, que no ano anterior, na partida do Fluminense contra o Southampton, somaram 3.459, para um público de 32.300 pagantes e renda de Cr$ 603.740,00, segundo a revista "O CRUZEIRO", de 05/06/1948, de modo que talvez o público presente pode ter chegado há umas 47.000 pessoas presentes (cerca de 42.500 pagantes), mas muitíssimo pouco provável aos 60.000 informados pelo jornal londrino "Daily Mirror", provavelmente apurados junto aos jornalistas brasileiros.

01) Arsenal 5 x 1 Fluminense, 15/05/1949: Cr$ 994.510,00

- Com o sucesso do Arsenal na primeira partida, os organizadores da excursão resolveram estabelecer os preços para as partidas de São Paulo :

Arquibancada: Cr$ 22,00.
Meia-arquibancada: Cr$11,00.
Geral: Cr$ 11,00.
Meia-geral: Cr$ 5,50.
Cadeira coberta: Cr$ 110,00.
Cadeira descoberta: Cr$ 65,00.
Cadeira adicional: Cr$ 45,00.

- O público da partida contra o Corinthians, segundo o ALMANAQUE DO CORINTHIANS, de Celso Unzelte, teria sido de 48.810 pagantes, com um ingresso médio de Cr$ 22,44, que abaixo aplico ao jogo do São Paulo, para estimar-lhe o público pagante.

- O público da partida contra o Vasco, teria sido de pouco mais de 24.000 pagantes, segundo o livro O TIME DE MEU CORAÇÃO - CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMA, de Cláudio Nogueira, o que faz supor que os ingressos tenham sofrido um aumento em função do sucesso financeiro dos jogos até então, provavelmente dobrado em relação ao jogo do Fluminense, sendo o ingresso médio em torno de Cr$ 47,75.

- O público da partida contra o Flamengo, teria sido de 25.899 pagantes, segundo o livro GRANDES JOGOS DO FLAMENGO, de Roberto Assaf e de Roger Garcia, o que faz supor que os ingressos tenham sofrido uma diminuição em relação à partida do Vasco, provavelmente em função da diminuição do público em relação à partida contra o Fluminense, tendo sido o ingresso médio de Cr$ 37,39. Supondo que o preço dos ingressos da partida do Flamengo, tenham sido os mesmos cobrados na partida contra o Botafogo, estimo também este público abaixo:

02) Arsenal 1 x 1 Palmeiras, 18/05/1949: Cr$ 1.130.070,00 (51.806 pagantes).
03) Arsenal 2 x 0 Corinthians, 22/05/1949: Cr$ 1.095.672,00 (48.810 pagantes).
04) Arsenal 0 x 1 Vasco, 25/05/1949: Cr$ 1.146.150,00 (público: 24.000 pagantes).
05) Arsenal 1 x 3 Flamengo, 29/05/1949: Cr$ 968.375,00 (público: 25.899 pagantes).
06) Arsenal 2 x 2 Botafogo, 01/06/1949: Cr$ 534.505,00 (público estimado: 14.295 pagantes).
07) Arsenal 0 x 1 São Paulo, 04/06/1949: Cr$ 964.184,00 (público estimado: 42.967 pagantes).
Fonte: www.campeoesdofutebol.com.br

Literatura

Futebol

CLUBES COM PIOR DESEMPENHO EM CAMPEONATOS ESTADUAIS NA HISTÓRIA

por Laércio Becker, de Curitiba-PR 

Santa Cruz, do Piauí

Em 20.11.60, pelo campeonato estadual, Auto Esporte aplicou um sonoro 12x1 no Santa Cruz, com 3 gols de Capote. Neste campeonato, o Santa Cruz levou de 11x0 do Flamengo, 10x0 do River, 9x0 do Piauí e 10x0 do Fluminense.

Essa campanha levou o Santa Cruz, clube fundado em 14.09.45, à sua desfiliação da Federação (nunca mais retornou) e eliminação do torneio, antes mesmo de levar outras goleadas dos demais participantes.

A estatística é surpreendente: 5 jogos, 5 derrotas, 52 gols contra (incrível média de 10 gols por partida) e 1 gol a favor (de José, justamente contra o Auto Esporte). As incríveis médias de 10,4 gols sofridos por partida e de saldo médio negativo de 10,2 por partida qualificam essa campanha do Santa Cruz como provável recordista em campeonatos estaduais do Brasil, mesmo se comparada a outros célebres sacos de pancada do futebol nacional.

Íbis Sport Clube - PE

o Íbis, ganhou fama a partir do campeonato estadual de 1979, quando conseguiu 12 derrotas em 12 jogos, 1 gol a favor e 51 contra – médias nitidamente inferiores à do Santa Cruz-PI. Na assombrosa campanha estadual de 1981, alcançou 18 derrotas em 18 partidas, 4 gols a favor e 88 contra. Em termos absolutos, não se nega que é uma marca nacional respeitável, mas em termos relativos, o Íbis, fazendo jus à fama, perde: média de 4,8 gols por partida.

América -PE

Conterrâneo do Íbis, o América de Recife, no campeonato estadual de 1995, levou 122 gols, mas em 37 partidas – módica média de 3,3 por jogo.

América-AM

O xará América, de Manaus, no campeonato de 2003, tomou 64 gols em 10 partidas.

Cruzeiro - AL

O Cruzeiro de Arapiraca, eleito pela imprensa alagoana como o pior do Brasil em 1988, em sua campanha estadual do fatídico ano, adjetivada como “assombrosa”, levou “apenas” 81 gols em 36 jogos – média irrisória de 2,25 gols por partida.
Fonte: www.campeoesdofutebol.com.br

Literatura

"AS 100 MELHORES CRONICAS COMENTADAS DE JOÃO SALDANHA"
Um homem multimídia, vanguardista, de múltiplos talentos e personalidade marcante – não poucos diriam “difícil” – João Alves Jobim Saldanha (1917/1990) deixou sua marca por onde passou. Como treinador de futebol, ganhou um Campeonato Carioca pelo Botafogo (1957) e classificou a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1970, escalando de forma inédita, na sua apresentação, uma equipe que ele qualificou como “feras”, e que nos deu o tricampeonato, depois que João foi demitido por ter “peitado” o general-ditador que queria se meter no seu time. Porém, foi sua habilidade em traduzir o clima dos campos de futebol em palavras, tanto nas rádios quanto nos jornais, que emocionou e informou multidões por décadas e fez do jornalista um cronista esportivo inesquecível. Dizia-se que seus comentários nos intervalos dos jogos eram ouvidos no eco das arquibancadas do Maracanã, tamanho era o número de ouvintes.

As crônicas foram selecionadas pelo historiador Alexandre Mesquita após a leitura de todo o acervo disponível sobre João Saldanha entre 1960 e 1990, do jornal Última Hora, passando pelo O Globo, Placar, até o Jornal do Brasil. De fora apenas o período de 1966 até 1970, reunidas por Raul Milliet Filho no livro Vida que segue.

Pela primeira vez, João tem suas crônicas situadas na linha do tempo, para melhor compreensão do contexto de produção das crônicas. Para Cesar Oliveira, editor, João Saldanha estava muito à frente do seu tempo. Tanto que, em 1962, escreveu Futebol e samba, onde apontava que faltava para a festa popular um grande palco, seu equivalente ao Maracanã. Só em 1984, foi fundado o Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Futebol

CLUBES CAMPEÕES EM MAIS DE UM ESTADO

Há 04 modos básicos de um mesmo clube ser campeão em dois Estados diferentes:
- desmembramento, incorporação e fusão de Estados
- alteração dos limites do Estado
- alteração da sede do clube para outro Estado
- opção do clube por participar do campeonato do outro Estado

Desmembramento, incorporação e fusão de Estados

Acre

O Acre foi incorporado ao território brasileiro pelo Tratado de Petrópolis, assinado em 17.11.1903 pelo Barão do Rio Branco e Assis Brasil.

O Decreto 1.181, de 25.02.1904, autorizou o Presidente da República a administrar provisoriamente o território. O Decreto 5.188, de 07.04.1904, organizou o território do Acre, que ficou dividido em 3 departamentos, administrados por 3 prefeitos subordinados diretamente ao Presidente da República. Ou seja, o Acre não existia como unidade político-administrativa, mas apenas esses 3 departamentos, que eram os seguintes:
1) Alto Acre, compreendendo a região regada pelo Alto Acre, pelo Alquiri e seus afluentes;
2) Alto Purús, compreendendo a região regada pelo Iaco, pelo Alto Purús e seus afluentes, como o Chandless;
3) Alto Juruá, abrangendo as terras regadas pelo rio Tarauacá e seus afluentes e pelo Alto Juruá e todos os seus afluentes, como o Moa e o Juruá-Mirim.

O Decreto 14.383, de 01.10.1920, reorganizou a administração da região, reunindo os 3 departamentos no chamado Território do Acre, capital Rio Branco, governado por um só governador, nomeado pelo Presidente da República.

A carência de dados sobre os primórdios do futebol acreano impede uma análise mais precisa. Mas o que se sabe é que o Rio Branco FC foi fundado em 08.06.1919 e o América FC em 09.08.1919. Ou seja, pelo menos esses dois clubes foram fundados no departamento do Alto Acre, unidade político-administrativa distinta do Território do Acre. São indícios fortes de que o futebol era praticado no Alto Acre. Só que não há notícia de disputa de campeonato nesse período. O primeiro campeonato da Liga Acreana de Esportes Terrestres (Laet) de que se tem notícia é o de 1921, quando já se tinha o Território do Acre. Se houvesse um campeonato antes da reunião dos departamentos e se o campeão fosse o Rio Branco ou o América, ele seria campeão por duas unidades político-administrativas distintas, já que foram campeões do Acre unificado.

O art. 9º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18.09.1946, previa que o Território do Acre seria elevado à categoria de Estado “logo que as suas rendas se tornem iguais às do Estado atualmente de menor arrecadação”. Depois, a lei 4.070, de 15.06.1962, elevou o Território do Acre à categoria de Estado.

Considerando os campeões anteriores e posteriores a 1962, temos que Rio Branco FC, Atlético Acreano e Independência FC foram campeões do Território e também do Estado do Acre.

Amapá

O Território Federal do Amapá foi criado em 01.10.1943, pelo Decreto-lei 5.812, de 13.09.1943, por desmembramento do Estado do Pará. Logo em seguida, em 1944, foram fundados o Amapá Clube e o Macapá EC, bem como foi disputado o primeiro campeonato amapaense. Como uma competição dessas não surge do nada como um passe de mágica, supõe-se, então, que o futebol já era jogado naquele território antes do desmembramento. Mas, com certeza, nenhum clube local eventualmente pré-existente no local foi campeão paraense, pois os campeões paraenses eram todos de Belém: Sociedade Atlética União Esportiva, Clube do Remo, Paysandu Sport Club e Tuna Luso.

A partir de 01.01.1991, no lugar do Território foi instalado o Estado do Amapá, pelo art. 14 do ADCT da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05.10.1988. No mesmo ano, coincidentemente, foi implantado o profissionalismo. Com isso, temos que Macapá, Ypiranga, São José e Independente foram campões do Território e também do Estado do Amapá.

Distrito Federal

A mudança da capital brasileira do Rio de Janeiro para o Planalto Central era uma promessa das Constituições brasileiras de 1891, 1934 e 1946. Até que o Presidente Juscelino Kubitschek resolveu colocar o velho projeto constitucional em prática e construiu Brasília. Pela Lei 3.752, de 14.04.1960, ficou definido que, na data em que se efetivasse a mudança da capital, a nova cidade assumiria a condição de Distrito Federal. Isso aconteceu em 21.04.1960, quando Brasília foi fundada.

Só que, antes mesmo de o local virar Distrito Federal, ou seja, quando ainda era território goiano, o futebol já estava instalado. Já havia uma Federação Metropolitana de Futebol, fundada em 16.03.1959, e alguns clubes, como o CR Guará, fundado em 09.01.1957, e o Grêmio Esportivo Brasiliense, fundado em 06.03.1959.

E até ocorreu o primeiro campeonato, em 1959, vencido pelo Grêmio Esportivo Brasiliense. Ou seja, foi campeão distrital em território goiano, porque antes mesmo de o Distrito Federal estar instalado lá. Como voltou a ser campeão distrital em 1970, pode-se dizer que, a rigor, foi campeão em território goiano (mas não do campeonato goiano, é claro) e depois em território distrital também.

Como veremos mais adiante, antes de o Distrito Federal se mudar para Brasília, ele ficava na cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, em termos estritamente formais e não geográficos, os campeões cariocas até então também eram, a seu modo, “campeões distritais”.

Fernando de Noronha

O Território Federal de Fernando de Noronha foi criado pelo Decreto-lei 4.102, de 09.02.1942, e reincorporado ao Estado de Pernambuco pelo art. 15 do ADCT da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05.10.1988. Infelizmente, não há notícias de disputa de campeonatos durante esse período. Da chamada Copa Noronha só há notícias a partir de 2003.

Guanabara

Durante o Império, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro era o Município Neutro da Corte, enquanto Niterói era a capital da Província do Rio de Janeiro. Com o art. 2º da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 24.02.1891, as Províncias se transformaram em Estados e o Município Neutro virou Distrito Federal. Como o primeiro campeonato estadual no Brasil só ocorreu em 1902, em São Paulo, evidentemente não temos nenhum campeão provincial.

Pela Lei 3.752, de 14.04.1960, na data em que se efetivasse a mudança da capital para o Planalto Central, o então Distrito Federal se transformaria em Estado da Guanabara. Foi o que aconteceu em 21.04.1960, com a fundação de Brasília.

A partir de 15.03.1975, os Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro foram fundidos no atual Estado do Rio de Janeiro, conforme art. 8º da Lei Complementar 20, de 01.07.1974.

Com isso, temos que os campeões cariocas de 1906 a 1959 foram campeões do Distrito Federal. A rigor, os campões cariocas de 1960 a 1974 deveriam ser campões do Estado da Guanabara e os campões de 1975 em diante deveriam ser campeões do Estado do Rio de Janeiro. Mas não foi bem assim, porque, apesar de contar com alguns clubes do interior, o campeonato carioca continuou separado do fluminense até 1978, inclusive (último campeão fluminense: Goytacaz). A fusão da Federação Carioca de Futebol com a Federação Fluminense de Futebol (ex-Federação Fluminense de Desportos) finalmente ocorreu em 29.09.1978, dando origem à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ).

De qualquer modo, do ponto de vista estritamente formal, pode-se dizer que Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo foram campeões de três Estados diferentes: Distrito Federal, Guanabara e Rio de Janeiro. Já America e Bangu, de dois: Distrito Federal e Guanabara. A questão é que o campeonato tem sido praticamente o mesmo. Apesar da mudança do Distrito Federal para Brasília e da fusão dos Estados, continua sendo, por tradição, o “campeonato carioca” e não “fluminense”, que seria, em tese, o gentílico mais adequado.

Importante observar que, até hoje, nenhum time de fora da cidade do Rio de Janeiro foi campeão “carioca”, nem antes nem depois da fusão. O clube que chegou mais perto disso foi o Americano FC, de Campos, vice-campeão de 2002. Como, antes da fusão, já tinha sido campeão pela Federação Fluminense de Desportos, se ele tivesse vencido o Fluminense FC nas finais de 2002, teria entrado para o seletíssimo rol de clubes campeões em mais de um Estado.

Iguaçu

O Território Federal do Iguaçu foi criado em 01.10.1943, pelo Decreto-lei 5.812, de 13.09.1943, por desmembramento dos Estados do Paraná e de Santa Catarina. Pouco depois, foi extinto pelo art. 8º do ADCT da Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18.09.1946.

Pelo que pude apurar, na região já tinham sido fundados e estavam em plena atividade, pelo menos, o ABC Football Club (desde 12.09.1915) e o Guairacá EC (desde 17.01.1945; depois, mediante fusão com outros dois clubes, deu origem ao atual Grêmio Esportivo Social Foz do Iguaçu, o Gresfi), ambos em Foz do Iguaçu. No entanto, parece que a primeira Liga da região de Foz foi a Liga Regional Futebol Cataratas, fundada em 1969 e substituída em 1975 pela Liga Iguaçuense de Futebol. Ou seja, tudo indica que o futebol já era praticado na região, mas não organizado em torneios, de sorte que soa pouco provável a realização de um campeonato de futebol do Território Federal do Iguaçu.

Mato Grosso do Sul

O Estado do Mato Grosso do Sul foi criado, por desmembramento do Estado do Mato Grosso, pela Lei Complementar 31, de 11.10.1977, e foi instalado em 01.01.1979, com a posse do primeiro governador. Neste mesmo ano de 1979, já foi disputado o primeiro campeonato estadual organizado pela Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul, fundada em 03.12.1978.

Esse desmembramento produziu os dois únicos clubes – até o momento – que foram campeões em dois Estados distintos. Ambos são da capital, Campo Grande. Um deles é o EC Comercial, campeão matogrossense de 1975 e sul-matogrossense de 1982, 1985, 1987 etc. Outro é o Operário FC, campeão matogrossense em 1974, 1976 a 1978, e sul-matogrossense de 1979 a 1981, 1983, 1986, 1988, 1989 etc. Observar que o Operário foi tricampeão no Mato Grosso (1976 a 1978) e, em seguida, tricampeão no Mato Grosso do Sul também (1979 a 1981), de modo que é um, digamos... hexacampeão sui generis.

Ponta Porã

O Território Federal de Ponta Porã foi criado em 01.10.1943, pelo Decreto-lei 5.812, de 13.09.1943, por desmembramento do Estado do Mato Grosso. Pouco depois, foi extinto pelo art. 8º do ADCT da Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18.09.1946.

A Federação Matogrossense foi fundada em 26.05.1942 e o primeiro campeonato matogrossense foi disputado no ano seguinte. Segundo Reginaldo Alves de Araújo, pesquisador do futebol sul-matogrossense, autor de “Futebol Sul-Matogrossense”, com três volumes já publicados e o quarto no prelo, realmente não existiu um campeonato de futebol do Território. No entanto, segundo o primeiro volume de sua valiosa obra, há menção a um Internacional FC, da cidade de Ponta Porã, que foi “campeão da fronteira” em 1931. Ou seja, o futebol era praticado, havia torneios locais, mas tudo indica que não houve um campeonato do Território.

Rondônia

O Território Federal do Guaporé foi criado em 01.10.1943, pelo Decreto-lei 5.812, de 13.09.1943, por desmembramento dos Estados do Amazonas e do Mato Grosso. Poucos meses antes, em 10.07.1943, foi fundado o Ferroviário AC, quando Porto Velho ainda era território amazonense. Logo em seguida, em 29.10.1944, foi fundada a Federação de Desportos do Guaporé (atual Federação de Futebol do Estado de Rondônia) e, em 1945, foi disputado o primeiro campeonato.

A Lei 2.731, de 17.02.1956, alterou o nome do Território para Rondônia, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon. Já a Lei Complementar 41, de 22.12.1981, elevou o Território ao “status” de Estado. Com isso, temos que os campeões de 1945 a 1955 foram campeões do Território de Guaporé, os de 1956 a 1981 foram campeões do Território Federal de Rondônia e os de 1982 em diante, do Estado de Rondônia. Destaque, então, para o Ferroviário AC: fundado no Estado do Amazonas, campeão do Guaporé, do Território e do Estado de Rondônia.

Roraima

O Território Federal do Rio Branco foi criado em 01.10.1943, pelo Decreto-lei 5.812, de 13.09.1943, por desmembramento do Estado do Amazonas. Não há notícias de prática do futebol antes do desmembramento. De qualquer modo, com certeza, nenhum clube local eventualmente pré-existente no local foi campeão amazonense, pois os campeões amazonenses eram todos de Manaus: Manaos Athletic, Nacional, Rio Negro, Cruzeiro do Sul, Manaos Sporting e União Sportiva Portuguesa.

Depois, a Lei 4.182, de 13.12.1962, alterou o nome do Território para Roraima. Embora houvesse clubes anteriores à mudança de nome, como o Atlético Roraima Clube (de 1944), o Baré EC (de 1946) e o Atlético Progresso Clube (de 1959), não há registro de eventuais campeonatos anteriores ao de 1974, apesar de a Federação Roraimense de Futebol ter sido fundada em 23.07.1948, com o nome de Federação Riobranquense de Desportos.

A partir de 01.01.1991, no lugar do Território foi instalado o Estado de Roraima, pelo art. 14 do ADCT da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05.10.1988. Com isso, temos que Roraima, São Raimundo, River e Baré foram campões do Território e também do Estado do Roraima.

Tocantins

O Estado do Tocantins foi criado, por desmembramento do Estado de Goiás, pelo art. 13 do ADCT da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05.10.1988, e foi instalado em 01.01.1989.

Alguns clubes foram fundados antes da implantação do Estado, p.ex.: o Intercap EC, de Paraíso, em 1972; o Kaburé EC, de Colinas, em 1985, o Clube dos XXX, de Araguaína, em 1987; e o Gurupi EC, de Gurupi, em 1988.

A Federação Tocantinense de Futebol foi fundada em 07.04.1990 e só em 1993 foi disputado o primeiro campeonato estadual.

Nenhum campeão tocantinense foi antes campeão goiano. Aliás, antes da implantação do Estado do Tocantins, só 2 campeões goianos foram times do interior: Anápolis FC, de Anápolis, em 1965; e CRAC, de Catalão, em 1967. Sendo que Anápolis e Catalão continuam em território goiano.

Alteração dos limites do Estado

Há vários casos de alteração dos limites entre os Estados e Territórios do Brasil. P.ex., os limites dos Territórios Federais criados pelo Decreto-lei 5.812, de 13.09.1943, foram em seguida alterados pelo Decreto-lei 6.550, de 31.05.1944.

Além disso, há casos de litigíos entre Estados que disputam ou disputaram regiões de fronteira – e que, portanto, renderam ou ainda podem alterações de limites. P.ex., entre Acre e Amazonas, Acre e Rondônia, Piauí e Tocantins, Ceará e Piauí, Espírito Santo e Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

De qualquer modo, em todos esses casos, as regiões disputadas são (eram) distantes dos grandes centros, de sorte que a chance de uma dessas alterações de limites definir a mudança de Estado de um time já campeão no anterior é extremamente remota.

Alteração da sede do clube para outro Estado

Há casos de clubes que mudaram de cidade. P.ex., AA Central Brasileira, de Cotia para Espírito Santo do Pinhal; e Estrela EC, de Itu para Porto Feliz e depois para Vinhedo; a SE Matsubara, de Cambará para Londrina e de volta para a cidade natal. Salvo engano, o exemplo mais antigo é o do SC Americano, fundado em Santos em 1903 e transferido para São Paulo em 1908, e o mais recente é do Grêmio que se mudou de Barueri para Presidente Pudente. Desconheço, porém, caso de algum clube que tenha alterado a sede para outro Estado.

De qualquer modo, entre os campeões estaduais não há, até o momento, nenhum caso de campeão em dois estados em virtude de mudança da sede do clube.

Opção do clube por participar do campeonato do outro estado

O Rio Cricket & Athletic Association, de Niterói, disputou o campeonato carioca de 1906 a 1915. O Canto do Rio FC, também de Niterói, disputou o campeonato carioca de 1941 a 1964. Só que eles não foram campeões nem cariocas, nem fluminenses.

Na década de 90, numa das inúmeras crises pelas quais passou o futebol carioca, com os eternos conflitos entre os grandes clubes e a Federação, Flamengo e Fluminense chegaram a ameaçar disputar o campeonato mineiro e, com isso, esvaziar o campeonato carioca. Provavelmente mandariam os jogos em Juiz de Fora... Mas a idéia ficou só na ameaça, no cabo-de-guerra que disputavam com o presidente da Federação e os clubes menores. Se fosse concretizada e, eventualmente, conquistassem o campeonato mineiro, seriam campeões em dois Estados.

No Distrito Federal, é até corriqueira a participação de times de outros Estados. Basta lembrar que do campeonato distrital já participaram, p.ex.: Bosque FC, de Formosa (GO); AA Luziânia, de Luziânia (GO); Planaltina EC, de Planaltina (GO); e SE Unaí Itapuã, de Unaí (MG). Nenhum deles, porém, foi campeão em dois Estados.

Em resumo, vimos que há casos de clubes que foram campeões de unidades políticas que mudaram de nome ou de status jurídico. P.ex., o Ferroviário de Porto Velho, campeão do Território de Guaporé, do Território de Rondônia e do Estado de Rondônia. No entanto, a unidade política foi, a rigor, sempre a mesma.

Nesse sentido, de todas essas hipóteses exaustivamente analisadas, os únicos clubes que conseguiram a façanha de se sagrar campeões em dois Estados foram o Operário e o Comercial, ambos de Campo Grande, campeões pelo Mato Grosso e pelo Mato Grosso do Sul.
Fonte: www.campeoesdofutebol.com.br