terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Eu, Paraoquena

por Teresa Mota*

Sou pequena, mas nunca fui insignificante. No passado fui berço de gente rica e valente. Fui transitada por senhores fazendeiros, por mulheres belas e educadas. O progresso era presente, com farmácia, padaria, hotel,cooperativa e o trem que carregava passageiros em suas andanças. Toda essa trajetória de meu passado está guardado com muita saudade na cabeça e no coração de cada um que viveu aquele passado tranquilo e diferente. agora no presente o comércio foi atraído longe em busca de dinheiro, os jovens em busca de futuro melhor e novos horizontes. Para meus antigos moradores o passado é distante, pois tudo mudou ou quase tudo, graças a Deus ainda não me tiraram a beleza natural que a natureza fez. Estão tentando. Espero que não consigam me transformar em pedras. E o meu futuro? Não sei. Espero sempre a visita daqueles que um dia partiram. O meu orgulho maior é saber que aqueles que foram e não puderam voltar gravaram o meu nome no coração de cada um. Sei que cada morador, presente ou ausente me ama. Cada um com um amor diferente. Tenho certeza que aqueles que me amaram no passado, me amam no presente. Sou e sempre serei o melhor lugar do mundo. Peça aos Paraoquenenses ausentes: voltem a me visitar! Estarei sempre de braços abertos para recebê-los. 
- Paraoquena - 07º distrito de Santo Antonio de Pádua, no Noroeste Fluminense.
*Teresa Mota é uma Paraoquenense de alma e de coração

Literatura

"Biografia e doença"
A biografia humana, considerada segundo a metodologia biográfica antroposófica, é composta de setênios – ciclos de sete anos que caracterizam o desenvolvimento físico, anímico e espiritual do ser humano ao longo da vida. 

Com base em sua ampla experiência em aconselhamento biográfico – modalidade terapêutica que vem complementar e ampliar sua atuação como médicas antroposóficas, Angélica Alves Justo e Gudrun Krokel Burkhard expõem aqui as bases conceituais de seu trabalho médico-terapêutico, complementando-as com exemplos reais de sua prática profissional. 

Ressaltando que as enfermidades podem ser um importante elemento para a ‘cura biográfica’, representando muitas vezes um marco no restabelecimento do equilíbrio em vários âmbitos, destacam ainda o valor espiritual da doença grave, que pode significar uma redenção e um preparo para novos e insondáveis horizontes existenciais.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Cultura Inglesa

Dias da semana em inglês 
Sunday, Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday, finally Friday and Saturday.  Diferentes do português, são obrigatoriamente escritos com letra maiúscula, caso contrário são considerados gramaticalmente incorretos. Além disso, os dias da semana em inglês têm algumas curiosidades.  

O significado dos dias da semana em inglês 

Os nomes dos dias da semana ao redor do mundo surgiram baseados em números e planetas. Em muitos lugares esses nomes foram alterados de acordo com a religião ou por motivos seculares. No caso do inglês, alguns nomes dos dias da semana derivam de deuses Anglo-Saxões. 

Weekdays e weekends 

Os dias da semana em inglês são chamados de weekdays e os fins de semana de weekends, mas isso varia de um país para outro, assim como o Business day, que significa “dia útil”.  

Calendário em inglês 

A maioria dos calendários nos Estado Unidos e Canadá marcam Sunday (Domingo) como o primeiro dia da semana, já no Reino Unido, Irlanda, Austrália, África do Sul e América do Sul, o primeiro dia da semana é Monday (Segunda-Feira). Saiba o significado específico dos dias da semana em inglês! Have a nice study!  

Dias da semana em inglês  

Sunday (Domingo): Dia do sol (Day of the Sun) é o significado de Sunday – Sun (sol) Day (dia), que curiosamente originou do latim Dies Solis.
Monday (Segunda-feira): com estrutura parecida de Sunday, Monday significa Dia da lua (Day of the Moon) – Moon (lua) Day (dia). Também originada do latim Dies Lunae.
Tuesday (Terça-feira): vem de Tiwesdaeg, palavra do inglês arcaico que significa Dia do Tiw (Tiu’s Day). Tiw (conhecido como Tew, Tyr e Tywar) era deus da guerra na mitologia norueguesa. Tuesday também é baseado no nome Dies Martis, Dia de Marte (Day of Mars), o deus da guerra romano.
Wednesday (Quarta-feira): significa o Dia do deus Germânico Woden, mais conhecido como Odin, que era o deus mais alto da mitologia norueguesa e um proeminente deus dos Anglo-Saxões. Wednesday é baseado do latim Dies Mercurii, Dia do Mercúrio (Woden’s Day)
Thursday (Quinta-feira): significa Dia do Punor, conhecido como Thor. Thor é o deus dos trovões na mitologia norueguesa e no paganismo germânico. Thursday é baseado no nome Dies lovis, do latim, Dia de Júpter (Thor’s Day).
Friday (Sexta-feira): significa Dia de Frige (Freya’s Day), a deusa germânica da beleza. Na verdade, trata-se de uma adaptação do latim Dies Veneris (Dia de Vênus). Frige ou Frigg era a deusa nórdica do amor, correspondente a Vênus, da mitologia romana.
Saturday (Sábado): a tradução Anglo-Saxã original de Saturday era Saeturnesdaeg, que em latim significa Dies Saturni, Dia de Saturno (Saturn’s Day).

Calendário

January – janeiro
Abreviação: Jan
Número de dias: 31
Origem do nome: o mês que abre o ano vem do nome Jano, o deus romano das portas, responsável pelas passagens, inícios e fins.
February fevereiro
Abreviação: Feb
Número de dias: 28 (29 em ano bissextos)
Origem do nome: este mês faz referência à deusa Februa, que presidia o festival da purificação nesta mesma época.
March – março
Abreviação: Mar
Número de dias: 31
Origem do nome: o homenageado por esse mês é o deus da guerra, Marte, filho de Februa.
April – abril
Abreviação: Apr
Número de dias: 30
Origem do nome: embora existam duas teorias, a mais aceita é de que vem do latim “aperire”, que significa abrir e está ligado à abertura das flores no início da primavera do hemisfério norte.
May – maio
Abreviação: May
Número de dias: 31
Origem do nome: a deusa romana da fecundidade, Maia, é quem dá nome a esse mês.
June – junho
Abreviação: Jun
Número de dias: 30
Origem do nome: a protetora do casamento, das mulheres e do nascimento é Juno, por isso esse mês leva esse nome.
July – julho
Abreviação: Jul
Número de dias: 31
Origem do nome: Júlio César, imperador romano, é o homenageado deste mês desde 44 a. C.
August – agosto
Abreviação: Aug
Número de dias: 31
Origem do nome: outro líder romano nomeou este mês, desta vez o escolhido foi Augusto César.
September – setembro
Abreviação: Sep
Número de dias: 30
Origem do nome: embora hoje não pareça fazer sentido, antes de passar por uma reforma para iniciar-se em janeiro, os anos no calendário romano começavam em março, portanto, esse era o sétimo mês e recebeu esse nome que deriva do latim.  O mesmo acontece com os meses seguintes.
October – outubro
Abreviação: Oct
Número de dias: 31
Origem do nome: “octo”, oito em latim, o oitavo mês do calendário romano.
November – novembro
Abreviação: Nov
Número de dias: 30
Origem do nome: “novem”, nove em latim, o nono mês do calendário romano.
December – dezembro
Abreviação: Dec
Número de dias: 31
Origem do nome: “decem”, dez em latim, o décimo mês do calendário romano.

Como escrever

Em inglês, os meses devem ser escritos sempre com a primeira letra maiúscula, diferentemente do português, que só faz essa exigência se o mês estiver no início da frase ou for nome de uma rua. Para dizer que algo aconteceu em um determinado mês, usamos:
In January.
In May.
Agora se dissermos que algo aconteceu em um determinado dia do mês, vamos usar:
On July 25th.
On December 12th.

Como surgiu o calendário

O calendário adotado oficialmente pela maioria dos países chama-se gregoriano em referência ao Papa Gregório XIII e foi usado pela primeira vez no dia 15 de outubro de 1582. Antes dele, o modelo adotado era o do calendário juliano, criado pelo imperador romano Júlio César, que foi reformulado para fixar corretamente a data da Páscoa ao equinócio da primavera no hemisfério norte.

Ano bissexto


A cada quatro anos ocorre o ano bissexto, que leva esse nome por ter 366 dias. Isso acontece porque o tempo que a Terra leva para completar uma volta em torno do Sol dura 365,35 dias e não 365 como consideramos. Por isso, acrescentar um dia de tempos em tempos é necessário para compensar essa diferença.

Literatura

"José Bastos"

Conheça um pouco da história da cidade de Natividade, localizada no Noroeste Fluminense em "José Bastos". A formação da família Pereira e Bastos, desde a vinda de Portugal contada por Maria Alice Rabello Bastos Paraguassu . Os "causos" verídicos e sempre divertidos do Seu Zé Bastos com os amigos de infância e parentes são relatados com riqueza de detalhes.

Cultura Espanhola

DÍAS DE LA SEMANA (DIAS DA SEMANA)
segunda-feiralunes
terça-feiramartes
quarta-feiramiércoles
quinta-feirajueves
sexta-feiraviernes
sábadosábado
domingodomingo

No espanhol, os dias da semana são inspirados no sistema solar, ou seja, a lua (lunes) e os planetas: Marte (martes), Mercúrio (miércoles), Júpiter (jueves), Vênus (viernes), Saturno (sábado) e Sol (domingo).
MESES DEL AÑO (MESES DO ANO)
janeiroenero
fevereirofebrero
marçomarzo
abrilabril
maiomayo
junhojunio
julhojulio
agostoagosto
setembroseptiembre
outubrooctubre
novembronoviembre
dezembrodiciembre

sábado, 2 de dezembro de 2017

Literatura

"Renato Aragão - do Ceará Para o Coração do Brasil"
“Renato Aragão nos traz sempre a nossa infância, a nossa cultura popular. O Grande Circo que é a nossa utopia.” – Fernanda Montenegro

“Renato Aragão é uma grande figura da cultura brasileira. O programa Os Trapalhões foi um marco na história da televisão e na vida da gente... Programa popular e nada careta, aquilo é coisa que diz muito sobre o melhor do Brasil.” – Caetano Veloso

Quem é esse homem batizado Antonio Renato Aragão? Quem é esse artista que há cinco décadas, no cinema e na TV, faz gerações e gerações de brasileiros sorrirem? E o que faz Renato Aragão, aos 82 anos, acreditar que “ainda há muito a fazer”?

Em um dos textos de apresentação de "Renato Aragão: Do Ceará para o coração do Brasil", obra de Rodrigo Fonseca, o próprio artista toma a palavra e se dirige ao leitor para dizer: “Este livro é uma forma de saciar a curiosidade que as pessoas... possam ter sobre o percurso que venho fazendo... Bom, esta é uma viagem para dentro de mim. Uma viagem feita de saudades, memória e muita gratidão.”

Rodrigo Fonseca, roteirista e crítico de cinema, é quem nos conduz ao longo desta grande e bela viagem pela vida e alma de Renato Aragão. Baseado nas memórias do artista e em meticulosa pesquisa, o autor nos conta a trajetória de Aragão desde o nascimento em Sobral, no Ceará, em 1935, até o momento em que o criador do Didi assiste ao lançamento da nova geração de Os Trapalhões, em 2017.

Ricamente ilustrado, o livro conta ainda com uma seção de depoimentos de diversas personalidades, tais como: Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, Maria Bethânia, Dedé Santana, Cacá Diegues, Daniel Filho, José Padilha, entre tantos outros.


O PORTUGUÊS EM FIM DE CARREIRA?

por Paschoal Motta*

Oportuna a preocupação com advertência do Jornalista Otacílio Lage em artigo  publicado há algum tempo no Estado de Minas, de Belo Horizonte, onde é subeditor: “Aqui, o Português está sendo negligenciado, e só os tolos acham que podem aprender o Inglês, Espanhol, Italiano, Russo, Mandarim ou qualquer outro idioma, ignorando o nosso. Não vão sair do lugar.” E alenta lamento de Renata Santos, Daniela Catarina e Clícia Paula, estudantes do Ensino Médio também da Capital de Minas, carta pública a respeito da presença de língua estrangeira em vitrines de casas comerciais: “... sinceramente consideramos desrespeitosas ao consumidor e à nossa Língua-mãe.” Glória! Louvadas sejam.
 Ainda uma esperança antes de jogar de vez essa manchada e rasgada toalha da inteligência brasileira: proporcionar livros e mais livros gratuitos com campanhas maciças de motivar sua (não a) leitura e comercialização a preços compatíveis com o bolso minguado do trabalhador brasileiro na maioria mais humilde. Aliás, programas sociais governamentais, como Fome Zero, Bolsa Família e outros, podiam incluir neles um livro. “Você recebe este botijão de gás e este romance de fulano.” “Aqui, o dinheiro do salário-educação e este livro de poemas de beltrano.” “Este é de História do Brasil,  sua família vai conhecer mais onde moramos...” Manjaram?
Cuidar para que sejam de autores tupiniquins, porque já constatamos estudantes preparando “trabalho” de Língua Portuguesa em livro traduzido...
Precisamos de publicações de qualidade, mesmo que sem ilustração (nada contra desenhistas); a imaginação será mais aguçada. Texto é uma coisa, desenho, outra. Livros, e em papel de jornal ou reciclado, de bagaço de cana e de outras fibras que queimamos ou jogamos fora, pelo preço mais em conta. Os indicados para leitura em escolas de Primeiro Grau, reparem, são coloridos, em papel cuchê, lindos, mas impossíveis de comprar por pais de salário mínimo. Melhor como queria o jovem Poeta Castro Alves: “Livros, livros à mão-cheia, e manda o povo pensar... O livro caindo na alma é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar.”
 Quem lê qualquer texto de algum valor pensará melhor, se sentirá melhor, conscientemente liberto, orgulhoso do idioma que o liga a seu torrão natal, seu clima, sua paisagem, suas crenças, sua arte a seus compatriotas e aos demais do Planeta Terra. Terá meios (ou mídios?) para obter mais recursos para sua sobrevivência com humana dignidade. Quem lê estuda; quem estuda lê mais.
Vivemos dias de esperanças e esforços por renovações. Há muito que fazer: comecemos já. Leitura, mesmo que tardia. Quantos adultos jamais leram um livro, nem o Jeca Tatu, de nosso Lobato...
Se imensa cópia de colegas da Comunicação, de cotovelos calejados na janela que abriram pela metade, se esclerosou intelectual e linguisticamente, que, então, os comunicadores (jornalistas, professores e outros da área) salvados do fogo sodomítico da ignorância, batalhem pelo aprimoramento do ensino e educação da infância e da juventude. Encontraremos moças e moços conscientes, competentes e ativos. Vamos lá com eles! E com a decisão de obstinados, que, do outro lado, os meios de informação (ou mídia?) forcejam para alienar a todas e a todos até quando dormimos.

Para fechar, mais este registro, em avivamento de nossos temores e tremores quanto à destruição da Língua Portuguesa no caso específico brasileiro. Recentes advertências da UNESCO / Organização das Nações Unidas Para a Ciência, Educação e Cultura, através de seu diretor-geral, Koichiro Matsuura, afirmou, na celebração do Dia Internacional da Língua Materna, em 21 de fevereiro: “Quando uma língua morre, uma visão do mundo desaparece.” E acrescentou que um registro idiomático desaparece a cada duas semanas. Por seu turno, Musa Bin Jaafar Bin Hassan, presidente da Conferência Geral, da mesma Unesco, acrescentou: “As línguas não podem desaparecer sob o peso de outras. Têm que ser meios de expressão, que vivam e atuem junto às grandes línguas da Terra.” E ele considera isso de difícil solução no enfrentamento da globalização que coloca o Inglês numa posição predominante.  
E os professores de Português, aqui no Brasil, onde estão? Ou se escondem nalguma galáxia fora de nosso sistema linguístico? E os cursos de Letras Neolatinas, de Jornalismo, de Direito, de Publicidade? E a Academia Brasileira de  Letras e as congêneres espalhadas pelo território brasileiro? E o Ministério da Cultura? Não se movimentam? Estão surdos, cegos? Vesgos?

Dispomos de recursos de divulgação para desencadear campanhas, festivais, concursos, celebrações regulares que avivam a atenção da mocidade para o valor que representa a Língua Portuguesa em sua formação intelectual, cultural e emocional. É só querer; e para querer é preciso, antes, entender; e, entendendo, amar. As comemorações de nossas datas cívicas mais importantes são duma frieza tumular. Quem proporá programas abrangentes e motivadores para que toda a população deles participe, com alegria, com proveito, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, de um 7 de Setembro, por exemplo? Promover festivais artísticos, concursos literários, musicais, de artes plásticas, disputas esportivas, profissionais e amadoras, e mais envolvendo a sociedade, da criança ao adulto, com interesse consciente. Gastam-se milhões de reais com uns desfiles repetidos, aqui e ali, e pronto. E o povo, no hora - veja...

O Português é patrimônio cultural; representa nossos modos de ser, estar, agir e sentir; e nos distingue no concerto das nações. Exige de quem o divulga rigorosa e serena consciência crítica, respeito e responsabilidade para com as gerações passadas, atuais e futuras.

O termo mídia viciou velhos e vicia novos no besteirol da comunicação nacional. Teremos ânimo ainda para recolocar o meio em nossos meios com competência e alegria? Há meios? Há. Uma sugestão primária: conhecer um mínimo da Língua Portuguesa, gostando ou não dela.

Esse mídia nos envergonha, humilha e violenta.

*Paschoal Motta, escritor, jornalista e professor
(São Pedro dos Ferros/Belo Horizonte)

Literatura

"Fera de Macabu - o maior erro judiciário brasileiro"
Relato do mais trágico erro da Justiça brasileira, ocorrido em meados do século XIX, em Macaé, no norte da província do Rio de Janeiro. O autor reconstitui o drama pessoal do fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, condenado à morte pelo assassinato de uma família de colonos em uma de suas propriedades. Carlos Marchi usa ferramentas de repórter para rastrear os vestígios da vida do fazendeiro em documentos obtidos nos arquivos oficiais, paróquias e cartórios do norte fluminense. Vítima de uma conspiração armada por seus adversários, Coqueiro teve dois julgamentos parciais e foi condenado à morte. Após sua execução, descobriu-se que ele era inocente e o imperador Pedro II, condoído por não ter-lhe concedido a graça imperial, passou a perdoar cada vez mais condenados à morte, antecipando informalmente o fim da pena de morte no Brasil. Na obra, os fatos reais realçam o clima de um grande romance, repleto de intrigas, sonhos e tragédias.

IMPORTAR NADA IMPORTA

por Paschoal Motta*

Importar e degustar, sim, manifestações artísticas estrangeiras, sem xenofobismos rasteiros. Todas as culturas fazem isso, mas, entre nós, seja com consciência crítica de sua qualidade, necessidade e praticabilidade de adaptação ao que temos criado aqui e decantado (trocadilho?!) pelos séculos. É, assim, sempre salutar. Nenhum falante de determinado idioma precisa conhecer a etimologia, origem, dos termos que articula no ato de sua comunicação, falada ou escrita. Mas, importa conhecer, sim, noções básicas da história da formação de seu sistema linguístico e suas variadas aplicações em plateias específicas. Nosso sistema é oficial, isto é, de manifestação formal definida, de lei, queiramos ou não. E dizemos isto do comunicador brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, de rádio, jornal, revista, propaganda, televisão, tribunal de júri, sala de aula, púlpito de igreja, meios oficiais de informação, aí afora. Imaginemos cada um dos profissionais em comunicação tratando a Língua Nacional do jeito que bem entender, como, aliás, procede a maioria desses profissionais! A latinidade é a raiz, a seiva, as flores e os frutos de nossa cultura e conta, para sobreviver a novas primaveras, com nossa atenção de herdeiros conscientes e responsáveis. Um profissional da palavra tem dever legal e de cidadania com o que transmite, falando ou escrevendo, para pequena ou grande plateia. Um profissional ignorante disso será um marginal nas estradas esburacadas da cultura que ele representa, ou crê que. Ou atinaram para ferrugem que divulgam?
Que vaidade deveríamos sentir por ser os continuadores de uma cultura tão positivamente marcante no Planeta, em todos os sentidos da elevação humana, e vem sendo construída desde as plagas do Latium, na Península Itálica, a Língua Latina.

Damos um quindim a quem detectar, em dez anúncios produzidos por agências de publicidade, escritos, radiofonizados, cantados, televisados, cinematografados, nove que não apresentem alguma agressão à linguagem, formal ou popular, e sem a menor necessidade. E isso desanda de cima para baixo. A emissora de rádio do Governo Federal veicula reiteradamente, por exemplo, gratuítopromulgado uma lei, e mais declarados barbarismos, em mensagens gravadas, entre muitas outras agressões à Língua padrão. Vamo-nos empobrecendo desabaladamente, por ações nossas, na descida destrambelhada da linguagem nacional. E perdendo nosso caráter cultural. Duvidar, quem há-de?
O Latim foi, há muito tempo, banido das escolas brasileiras! Pode ser aprendido somente em Curso de Letras Neolatinas. No mínimo, seu estudo ajudava a pensar com algum discernimento, a apurar a memória. Como a mocidade terá informações básicas de que o idioma dele é o Latim atualizado no Português? E como desejar que as recentes e futuras gerações tenham noções e práticas de haveres e deveres com suas heranças culturais, se, na essência, mal ou nada conhecem delas? Que língua eu falo? De onde veio isso e aquilo? Que dança é essa? Essa música não toca no rádio... Somos levados, por técnicas aprimoradas, a tudo consumir de descartável, até nossa pessoal consciência crítica da realidade circundante. Usou uma vez, acabou; jogue fora; amanhã tem mais...

Alguns poderão objetar: Enfrentamos males maiores e precisamos da sua imediata solução, ou a minimização a curtíssimo prazo, como o comércio e uso indiscriminado de drogas entorpecentes e seus perniciosíssimos efeitos destruindo a mocidade e suas famílias; fome endêmica, doenças idem, ladroeira e assassinatos em expansão nas autoridades constituídas, impunidade generalizada até de detentores de poderes políticos, financeiros entre muitos. E nossa podre ingratidão para com os animais, incluindo desmatamentos e queima de seus ambientes? Quase ninguém nem aí para os ditos irracionais e muito menos para seus semelhantes ditos racionais. As imundícies da indústria e agropecuária na água, no ar e na terra, e outras mazelas que inventamos e praticamos por ignorância e ganância? Agimos como se o futuro da vida acabará na meia hora seguinte.  São outros sintomas de um desinteresse geral pelo Brasil e, por extensão, pelo Planeta. E o crime organizado se alastrando e tomando conta dos cidadãos que nem tiririca na horta do nosso quintal? A estrada é longa, pedregosa, sinuosa, íngreme, mas pode ser reformada. Melhor, pede para ser reformada.

O Rádio ainda é o grande veículo de informação de massa e é dos principais detratores da Língua Pátria. Você pode escutar rádio até obedecendo à primeira ordem divina no Paraíso, crescendo e se multiplicando. Um sem-fim o rol de atropelamentos da linguagem por bocas em microfones. Envergonha, quando jornalistas esportivos entrevistam jogadores de futebol de países vizinhos e irmãos, em Espanhol, aqui dentro de nossos verdes gramados, para mostrar sabedoria. Estropiam a língua de Cervantes e de García Lorca, e, na maior cara-de-pau, se ufanam do feito glorioso, e saem elogiados por seus diretores e editores pelo heroísmo jornalístico... Recentemente, um Governador de Estado saudou participantes de um acontecimento internacional, aqui no Brasil... em Espanhol!
Em que pé anda um noticiado (ou boatado?) projeto federal sobre uma TV brasileira (do Governo Federal) para também países hispânicos... em Espanhol? Assim, nossas notícias seriam bem entendidas fora de nossas fronteiras próximas e além-mar, conforme se comentou. Tem gente aí nos achando com cara de bestas... Me desculpem o chavão, queridas irmãs e irmãos quadrúpedes!

Com a velocidade atual dos veículos de informação (ou mídia?), as línguas resistirão até não se sabe quando debaixo mais fortes. Mas, aqui, agora, tenhamos a dignidade de não enfear a nossa indefesa e ainda bela Última Flor do Lácio. Temos o direito à herança da Língua Portuguesa com obrigação imprescindível de preservá-la para as gerações presentes e futuras. Vamos conhecer, admirar línguas outras e suas culturas; aproveitar delas o que nos complete e encante. Não vivemos isolados neste Planeta com sua diversificada geografia, clima, cultura, cor de pele e o mais.  Ignorar isso sempre será pernicioso por inconsequente. Por outro lado, sempre vale repetir: é perdendo o conhecimento da língua pátria que um povo perde seu passado, nas suas mais autênticas manifestações e, por fim, sua dignidade pessoal e coletiva no presente e no futuro.

*Paschoal Motta, escritor, jornalista e professor

(São Pedro dos Ferros/Belo Horizonte)

Literatura

"O Caso dos Irmãos Naves - Um Erro Judiciário"
Uma história surpreendente e verídica contada pelo advogado João Alamy Filho (1908/1993) dos irmãos Sebastião José Naves (1902/1964) e Joaquim Rosa Naves (1907/1948). Considerado por muitos como o maior erro judiciário do Brasil. Um crime que não ocorreu. Duas Absolvições por Júri Popular e, ainda assim, a brutal e injustificável condenação de dois inocentes. Um exemplo de coragem, da busca pela Justiça. Uma história que todos devem conhecer para a consolidação da Cidadania e da Democracia no país.

QUANDO MEDIA ERA MEDIA

por Paschoal Motta*

Na década de 1980, a Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes) mantinha uma publicação intitulada Ars Media, dirigida em seus últimos tempos pelo Poeta Márcio Almeida. E todos pronunciavam corretamente o lá escrito, sabendo que aquele título era uma expressão latina, mesmo que adaptada...
Agora, recebemos correspondência pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que incita a jogar a toalha, divulgando um selo “Design brasileiro” (ipsis litteris)... Ah... design é latino (de designare, v. desenhar; também corroído na raiz, mas ainda só na pronúncia). Alguma necessidade para semelhante apelação? Alguma necessidade de alterar a grafia e a pronúncia do termo? E justamente por um órgão federal. Brincadeira! Me enganam, e eu não gosto disso! Depois, queremos que a mocidade ame sua terra natal, assim e assado, e outras baboseiras impostas que quase nada têm com um sentimento local verdadeiro, emocionado, desde as bases culturais. Somos, mesmo, um país (aqui com inicial minúscula) grande e bobo, como repete apreciado escritor mineiro.
Mais motivações para jogar a toalha no tablado da babaquice: reportagens e promoções oficiais sobre nossas regiões turísticas, ou disputas de mountain bik com veiculação da TV Cultura vêm com música incidental de origem alienígena, e quase sempre cantada em Inglês. Se um desavisado pega já iniciada uma dessas peças, logo imaginará que aquilo lá na telinha vem de um país estrangeiro, mesmo a paisagem tropical lhe parecendo algo doméstica. Estão-me achando com cara de quê, Senhoras e Senhoras da Mídia? É só conferir. Lá em São Pedro dos Ferros, ainda perguntamos, em situações ridículas tais: o que tem a ver isso com os fundilhos, isso de mostrar aspectos de nossas paisagens com uma voz cantando num ritmo e numa línguagem das arábias?  E expandimos nossa subserviência. Ah, o clima de Extrema é suíço? O de Campos do Jordão, nem se fala. O Parque Florestal do Rio Doce é a Amazônia mineira...
Apreciamos sempre estrangeirismos e, por qualquer dá-cá-essa-palha: Rand SportsTest DriveShow business, agro business, Semana Fashion, pizza gigante... delivery; em menor quantidade com outros idiomas, como o Francês, Espanhol e outros menos votados. Vejamos, de um apenas anúncio de apartamento (este tem a raiz part, de pars-partis, Latim, parte, porção) em que o comprador se embarafusta numa algaravia de estrangeirismos: quarto com suíte (Francês), home office (Inglês), espaço gourmet (Francês), varanda com advanced kitchen (Inglês), sauna (do Filandês!), quadra de squash (Inglês), hall (Inglês) decorado, executive golf com driving range, putting green, espaço kids, amplo living (Inglês)garage band (Francês e Inglês), pista de cooper (Inglês), fitness center (Inglês e Grego/Latim), mas empregado largamente como se Inglês). Para completar, o nome do edifício é Ville de Tal (Francês) no Bairro Sion (Hebraico). Ou Ville Babel? Seja Top Babel, como outro é Top Green! Fora o stand de vendas. Coisa de maluco. Fox-Trot do mad gringo. Eta-ferro! Ufa!  O comprador vai-se sentir valorizado, envaidecido, respeitado, comprando um big apartamento em New York defronte do Central Park. Esse Central saiu também do Latim, Gente! Aqui, têm certeza que é da língua de Walt Witmann, senão não vale, não vende. Queremos faturar em riba dos novos ricos, uai! E o exagerado batismo de prédios de apartamentos com nomes em England; e, menos cotados, em Francês e Italiano? E as nossas árvores, frutas, rios, pássaros, de nomes indígenas sonoros não podem, ou são desconhecidos?  A adoção direta de vocabulário não adultera uma língua, mas exagero disso...
Outra curiosa e hilariante ilustração de nossa renitente necessidade de afirmação com fumaças de grandeza, sabedoria e não ficar por baixo foi a da tentativa de um proprietário de boteco, em Divinópolis, há alguns anos. Mandou grafar placa do estabelecimento em letras vermelhas e azuis: Kings of Bar...(Sem o apóstrofo. Com ele, seria a glória!). Ou ranço duma doença hereditária? Mas, esse botequineiro não tinha compromisso profissional na feitura de seu curioso anúncio.
Tente transcrever orientações em quatro línguas, em caixa do já em desuso “disquette”, esses de micros computadores, comercializados também aqui; confiramos apenas no item Fungo: “Fungus resistant media / Suppport résistant à la moisissure / Medio resistente a hongos Mídia resistente a fungos.”
Somente nós destruímos o “media” latino.  O Inglês usa media integral, o Francês, support, o Espanhol, medio, e nós... Ampliando este pretexto por outro lado: Você já conferiu como nossas emissoras, principalmente de rádio, não divulgam, há tempos, canções de feição latino-americanas? Muito se escutou, se cantou, se dançou nestas plagas guarânias, tangos argentinos, boleros mexicanos e outros. E não faz tanto tempo assim. Gerações mais recentes sequer ouviram esses ritmos. Vez por outra, tocam em rádio uma canção italiana, francesa, e pronto. Mais legal é engolir e ruminar o impingido, modo geral lixo, e descartável, principalmente música popular. Tirante a erudita, outro país não tem a menor oportunidade de ser escutado aqui em suas composições musicais, e vejamos lá. Contam-se nos dedos da mão direita jovens brasileiros que têm oportunidade de conhecer Noel Rosa, Pixinguinha, Nélson Cavaquinho, Ari Barroso, até mesmo Tom Jobim, Chico Buarque, Paulo Vanzolini, além de outros ótimos compositores e intérpretes mais recentes e atuais, para citar apenas uns dos inúmeros que temos de invejável qualidade. É facílimo conferir.
Se adultos e mais jovens são engambelados, para não dizer massificados, com uma escória musical, descartável, nacional. Pelo menos, essas canções têm a nossa fácies, ainda que mutilada, de nenhuma qualidade musical, mas entendidas nas letras mixurucas. Pensar cansa. Sentir? A Gente aqui quer é barulho, zoar... 
Na Literatura, escritores de qualidade andam de pires na mão com as editoras. Pouquíssimos lidos, os latinos são por vezes divulgados e publicados entre nós. Mas, pelos altos preços dos livros e a falta absoluta de divulgação inteligente das editoras, são impossíveis para quase todos os bolsos. As publicações britânicas e estadunidenses, de duvidosa qualidade e, por vezes, bem traduzidas, graças a pesadas promoções (marketing), nos meios de divulgação, conseguem boas vendagens e são consumidos ainda nas telas de cinema. São comprados aos milhões mundo afora. É bom que se diga: escritores tupiniquins de prosa de ficção, modo geral, precisam criar textos interessantes, típicos, de ação, em que a vida atue sem psicologismos opacos e insossos. No mais, nos produtos da criatividade artística, e nos demais consumismos, não temos escapatória. Ah, mas Você está-se esquecendo que já vivemos tempo em que o Francês imperava nestas plagas brasílicas, onde o céu era mais azul...
Até quase metade do século passado. a cultura francesa, notadamente em aspectos linguísticos, não nos agredia, nem nos desmerecia ou descartava no concerto das nações, porque numa expressão de mesma origem. O Francês é irmão do Português, palmas do mesmo tronco. Mesmo assim, francesismos, vocabulares ou frasais, eram evitados por afetação, desnecessidade em vista do apreço que gerações passadas sentiam pelo Idioma Nacional. Vale lembrar, quanto a esta questão, uma afirmação atribuída a Gilberto Amado, escritor, jurista, jornalista, político, diplomata, que teria dito: “Uma rua de Paris é um rio que vem da Grécia.” Aliás, a língua de François Villon e de Molière deve ter sido destronada Aqui no Brasil, O Inglês começou a imperar a partir das primeiras projeções cinematográficas do cinema californiano falado mais ou menos em 1928. Foi este o grande propagador e propulsor de novidades que até hoje forcejamos por arremedar nas mais diferentes atividades e comportamentos. O gênio de Noel Rosa transfigurou isso no samba Cinema Falado. Monteiro Lobato, brasileiríssimo, registra, nos primeiros anos do século passado, a transição do Francês para o Inglês em Literatura do Minarete. Ali, ele ainda registra, entre outros, termos ingleses, importados da Inglaterra e já aportuguesados, como bola (ball), chute (só no som). Será interessante e ilustrativo conferir outros exemplos naquele escritor.
*Paschoal Motta, escritor, jornalista e professor

(São Pedro dos Ferros/Belo Horizonte)
           

Literatura

"Erro Judicário - A História do Tenente Matosinhos"
O livro é resultado de um arrazoado de sua auto-defesa, Renato Matosinhos, oficial militar, excluído da corporação, em Juiz de Fora-MG. Um relato de suas lutas, rumoroso caso; lembrando o caso Dreyfus. O advogado e jornalista Renato Matosinhos relata, em 152 páginas e com extrema habilidade um drama pessoal.


DE MEDIA PARA MÍDIA, FALTAM MEIOS

por Paschoal Motta*                     
                                                                 
              “Quando o povo perde a tradição, quer dizer que se quebrou o laço social.  E quando se quebra o laço entre a minoria e o povo, acabam a arte e a verdadeira ciência, cessam as agências principais, de cuja existência a civilização deriva.”
  (Fernando PessoaLivro do DesassossegoCompanhia das Letras, 02ª. ed. 2005, São Paulo)  

Quando se divulgou no Brasil a palavra mídia, da expressão mass media (Inglês e Latim), igual a meios de comunicação de massa, ou simplesmente meios, quase todos os comunicadores profissionais aprenderam a novidade e proclamaram a pronúncia inglesada de media, substantivo plural oriundo do adjetivo latino medium, que, por fim, resultou em nosso meio, meios (popular) de largas usanças. Até então, entre nós, media aparecia, na forma e pronúncias originais, e em situações específicas. Meio tem, como sinônimo, veículo de comunicação, ou apenas veículo, atualmente desbancado pelo mídia, que grassou que nem tiririca no mal cuidado jardim nacional da Flor do Lácio.
Mais recentemente, importamos e adotamos, com antiga afoiteza, as palavras diet (com pronúncia daíete), bike (baique), com apenas as deformações fonológicas. Fiquemos só nestas de uma lista crescente. São reduções de diaeteticus (Latim), e bicyclette (via Francês, por sua vez composta do prefixo latino bis, dois/duas, mais a palavra grega kyklos, roda, (grafia latinizada), mais eta. Importamos, ainda, dos Estados Unidos da América do Norte, bicycle, já representada em bike, e também com a apreciada dicção estrangeira. (Aliás, sempre demos ao importado mais valor que ao tupiniquim.) Nestas duas palavras, não conseguimos destruir a grafia, arremedando apenas a pronúncia.
Agindo assim, profissionais da Comunicação demonstram ignorar esta questão que desencadeia prejuízos irreversíveis na área linguística nacional e em nosso status de nação de idioma próprio. E não faltam representantes de renome nesse palco da macaqueação.
Evidentemente, nenhum falante de determinado idioma necessita, de início, conhecer a origem das palavras no momento em que as fala ou escreve. Mas, profissionais da Comunicação parecem descuidados com a questão e provocam prejuízos irreversíveis para a questão linguística e outras, como veremos.
Assim e aí, nos estrepamos, damos com os burros n’água. O desastre: abrigamos e divulgamos termos geneticamente latinos, correndo, porém, pelo acostamento, com a dicção original adaptada lá das plagas estranhas de onde vieram e em contramão na via de nossos parâmetros etimológicos. Aí, a língua que o assinalado Camões definiu para a posteridade vai, à deriva, por águas nunca dantes navegadas, afundando num poço de estranhas confusões.            
O Dicionário Aurélio, muitíssimo usado entre nós, registra mídia, sua etimologia e a abrangência de seus significados históricos e atuais, todavia sem qualquer observação quanto à sua descaracterização radical entre utentes do Idioma Português: a destruição de sua raiz, o principal núcleo morfo-semântico de uma palavra em qualquer língua, neolatino ou não.
Vale lembrar, de passagem, que, na árvore genealógica dos sistemas linguísticos do Planeta Terra, o Inglês floresce no galho dos idiomas germânicos, do tronco geral Indo-Europeu, onde se encontram também o Alemão, Africâner, Holandês, Dinamarquês e outros. Do Latim, também do tronco indo-europeu, já do grupo itálico, do outro lado da mesma árvore, se desenvolveram e frutificaram estes seus principais descendentes: Português, Italiano, Francês, Espanhol, denominados idiomas neolatinos, novilatinos, ou românicos. Mesmo reforçado por outros empréstimos, o Português apresenta a maior quantidade de seu vocabulário e sintaxe formados do Latim implantado na Península Ibérica pelo Império Romano. 

Nas longas e pedregosas estradas da civilização romana, os itálicos, assim também ditos, se apropriaram, máxime, de termos da civilização de Atenas, do científico, do filosófico, do religioso e do artístico, enfim elementos tirados das suas várias manifestações linguístico-culturais. Mas a raiz, repetimos, principal núcleo significativo das palavras importadas, foi mantida, como é fácil comprovar. Obviamente, os da Península Itálica as adaptaram à grafia do seu alfabeto, mantendo, já comprovaram especialistas, a pronúncia de origem, como com os ditongos e outros sons helênicos. Ainda é fácil e honroso constatar quanto o Mundo Ocidental se enriqueceu e se enriquece com aquelas civilizações. Haja vista na tecnologia e demais ciências antigas e contemporâneas a abundância de palavras, sufixos, prefixos, desinências do Latim e do Grego, berços, máxime das civilizações ocidentais.
Neste momento, digito este texto num microcomputador na tela de um monitor... Antes, datilografava sobre papel numa máquina de escrever e tirava cópias com papel carbono... Hoje, se errar, no microcomputadordeleto, etc. Convidamos o leitor a conferir a origem primária destes termos em itálico num bom dicionário. São de nossa constituição cultural.
Inúmeras palavras de outros idiomas, aqui aportadas, se adaptaram ao formato do Português sem outros atropelos, inclusivamente as ágrafas dos nossos indígenas. A causa eficiente e profunda desta argumentação sobre alguns desacertos na Língua Portuguesa será detectada nas importações desenfreadas, irresponsáveis de meros sons e grafias alienígenas que adulteram vocábulos de nossa genética linguística com declarada aquiescência das tribos profissionais na abrangente área da Comunicação. Importações de palavras sempre serão saudáveis, mas adaptá-las, tal qual procedemos, ainda que demoradamente, como do Inglês football, foxtrot, corner, lead,  penalty, team, copy desk, copyright, snooker... que aqui vestiram roupas de nossa linguagem e se converteram em futebol, foxtrote, córner, lide, pênalte, time, copidesque, copirraite, sinuca e outras muitas. Demos a elas, como não pode deixar de ser, um verniz latinizado, local, nos sons, na escrita. Aí, tudo ótimo!
Ressalte-se que, nos Estados Unidos, nosso árbiter cultural, e na Inglaterra, principais países de fala inglesa, os termos latinos, lá, são grafados em sua forma original, facílimo conferir. Haja vista nosso media, gancho desta breve reflexão e de outros, como éxit e stadium... (e não stêdiân, com pretensa pronúncia alemã da palavra latina por jornalistas brasileiros na cobertura da última Copa Mundial de Futebol). Estima-se que o dicionário inglês abriga mais de cinquenta por cento de termos greco-latinos, originais, adaptados ou não, geralmente já no formato latino. Jamais serão gratos, porém, os que instalamos por via transversa, como nos exemplos, sucintamente comentados, de mídiabikediet. Estas danificadas justo por nós, na sua estruturação física e/ou fonológica. E assim e mais, acabam, em expressões, contaminando, por fim, a sintaxe. Aí, desarranjos intestinos serão irreversíveis, ainda mais com prática abusiva e insistentemente por quem por elas devia zelar: redatores, revisores, radialistas, jornalistas, professores, advogados, reitores, religiosos e outras atividades profissionais cuja ferramenta básica é a Língua Portuguesa, “língua românica oficial de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, também falada nas ex-colônias portuguesas Goa (Índia) e Timor-Leste (anexada pela Indonésia), e que serviu de base lexical a diversos crioulos.” (Dic. Aurélio Eletrônico – Século XXI)

Que necessidade temos, afinal, de praticar deslealdades com o Idioma Pátrio, que herdamos, desde tantos e tantos fundadores da marcante civilização latina, se temos dietético, bicicleta? Por que esses termos nacionais são grandes, feios no físico e nos sons? Que morremos de vergonha de nossas matrizes culturais? Até parece que abominamos, temos ódio do sistema linguístico dos nossos maiores, via Roma / Portugal, e fica mais decente, mais globalizado, mais bonito meter nela estrangeirismos, mesmo que descabidos e desnecessários. A verdade é outra. Isso, aliás, acontece não é de hoje. Somos macaquitos calejados em outros arremedos. Nossa subserviência geral é atávica e por vezes vergonhosa.  Quando Você já leu numa camiseta uma palavra, uma frase em Português, Latim, Tupi, ou língua africana, francesa, grega, parceiras estas de nossos mais profundos e significativos suportes culturais? E dispomos de palavras sonoras, bonitas, instigantes. Só que em casa de ferreiro o espeto é de pau... Ou simplesmente por que não as conhecemos.
Aprendemos desde a infância, e quase conservamos, que era sempre melhor o fabricado fora do País. Isso desde o carretel de linha ao automóvel. Ah, este serrote é nacional, não presta para nada... Canivete, só da marca Solingen, estrangeiro, importado... Este terno é de casimira inglesa e linho irlandês, não temos melhor no comércio. O Cinema nacional, uma porcaria; não vi e não gostei...
Até hoje, esse ranço forceja por bafejar nosso comportamento subserviente, e de maneira por vezes descarada, desonesta, indecente. O importado é marca de garantia de qualidade. É só conferir em anúncios, promoções, notícias e em bocas de muitas pessoas.
Quanto a estrangeirismos vocabulares, nada contra; é das línguas civilizadas esse proceder desde seus mais antigos registros. O Português se enriqueceu e se enriquece com aportes do Alemão, do Japonês, do Turco, do Russo, entre outras não greco-latinas, para não falar dos ameríndios e africanos, em boa quantidade. Acontece que, aqui, a maioria das importações é desnecessária e algumas aviltantes, como esse descabido mídia, malmente trazido para cá por via exclusivamente oral e grafado como o pronunciam os estadunidenses e os anglos, com a raiz carunchosa, porém.
Pelo sim, pelo não, sejamos no mínimo um tantinho coerentes, e vamos falar e escrever doravante: por intermídio, intermidiário, midianeiro, midiatário, mídio de campo, a mídia de renda...  aí afora. Ou melhor ficarmos com o medium espírita, que também atende por cavalo, mas não relincha nem escoiceia nossas bases culturais?
*Paschoal Motta, escritor, jornalista e professor
(São Pedro dos Ferros/Belo Horizonte)

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Literatura

"Nos bastidores do mundo invisível"
A obra apresenta trabalhos do jornalista, professor e escritor Mauri König, já publicados em grandes veículos de comunicação do Brasil no período de 2000 a 2016. Reconhecidas por diferentes organizações que premiaram König pelas reportagens que se apresentam neste livro, esta coletânea representa a crença em um jornalismo comprometido com o interesse público, com a ética profissional e com o futuro do Brasil. Expressando a preocupação com problemas sociais, König permite agora que novas gerações tenham acesso a uma parte preciosa do seu legado. Nesse sentido, “Os bastidores do mundo invisível” é também uma importante referência para estudantes e profissionais ou, ainda, para aqueles que acreditam no jornalismo como um instrumento de transformações para o bem comum. O livro está dividido em 18 capítulos temáticos, que trazem 18 reportagens reproduzidas na íntegra, com data de publicação e premiações. Além disso, para cada reportagem também foi inserido o tópico “A história da história”, na qual o autor descreve os bastidores da produção da reportagem, incluindo planejamento, desafios, negociações e detalhes do trabalho.

Rússia 2018


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Literatura

 "Heroínas negras Brasileiras em 15 cordéis"
Adicionar legenda
Desde 2012, a autora Jarid Arraes tem se dedicado a desvendar a vida das mulheres negras que fizeram a História do Brasil. E não bastava conhecer essas histórias, era preciso torná-las acessíveis e fazer com que suas vozes fossem ouvidas. Para isso, Jarid usou a linguagem poética tipicamente brasileira da literatura de cordel. E vendeu milhares de seus cordéis pelo Brasil, alertando para a importância da multiplicidade de vozes e oferecendo exemplos de diversidade para as mulheres atuais.  Neste livro, reunimos 15 dessas histórias, que ganharam uma nova versão da autora, a beleza das ilustrações de Gabriela Pires e um prefácio da pesquisadora Jaqueline Gomes de Jesus. Conheça a história de: Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Black Friday

Como o próprio nome diz, o Dia de Ação de Graças é um dia onde as pessoas se juntam e se dedicam a demonstrar sua gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas durante o último ano. Surgiu nos EUA em 1620 e 1621, em Plymouth, Massachusetts, quando, após uma frustração de safra, veio, no ano seguinte, uma colheita abundante e, para comemorar, se reuniu as famílias em volta de uma mesa de fartura. Foi oficializada em 1863, pelo presidente Abraham Lincoln, como a 4ª quarta-feira do mês de novembro.
É também um momento para expressar carinho pelos seus amigos e familiares. É um dos feriados mais importantes dos Estados Unidos e no Canadá, juntamente com o Natal e o Ano Novo.
O Dia de Ação de Graças é um feriado familiar, onde é normal realizar longas viagens para que os parentes estejam reunidos. Outra grande tradição desse feriado é a comida e a troca de presentes demonstrando carinho. As famílias celebram esse dia com muita fartura gastronômica, onde tipicamente se come peru (por isso, também é conhecido como Turkey Day – Dia do Peru), batata-doce, purê de batata, torta de abóbora, torta de maçã, torta de nozes, entre muitas outras coisas.
Dizem que...
Por volta dos anos 60, na sexta-feira, aconteciam muitos tumultos na volta para casa, e a polícia rodoviária considerava a “sexta-feira negra”, tradução literal, um fato corriqueiro.
Surge, então, o Black Friday como o momento de liquidar as sobras de mercadorias que não foram compradas para a troca de presentes do Dia de Ação de Graças.
Ao mesmo tempo que se dá o início das compras dos presentes do Natal.
No Brasil, o Black Friday começou no ano 2000 por um pequeno grupo de lojas virtuais (cerca de 50). Com muita desconfiança e pequena adesão.
Mas como o que é bom se propaga, várias lojas físicas foram aderindo e dando credibilidade ao evento.
Inicialmente, lojistas despreparados, e em pequeno número, aumentavam os preços para depois darem o desconto. Fazendo o consumidor não acreditar de fato na promoção.
Esse fato já faz parte do passado, hoje, os clientes sabem o valor do produto, descartam os oportunistas, e tiraram de sua preferência quem tinha esse tipo de atitude. O Black Friday deixou de ser mais uma data promocional como as outras, e está crescendo muito no calendário lojista.
Por ordem de vendas, as datas eram 1º lugar, o Natal, 2º lugar, Dia das Mães, 3º lugar, Dia dos Namorados, 4º lugar, Dia dos Pais, e 5º lugar, Black Friday.
Este ano já mudou muito, o Black Friday já é a segunda maior data de venda do varejo e com expectativa de no ano que vem superar o Natal.
Este ano havia um consumo reprimido por parte da população, mais por medo da crise tão falada nos veículos de comunicação, do que na realidade por perda de poder aquisitivo. As famílias ajustaram seus orçamentos, adequaram o seu consumo, estão prontas para consumir, mas sem os exageros que cometiam no passado. O medo do desemprego está diminuindo (em 2017 se gerou 1,2 milhão de novos empregos), os juros estão caindo, todos os fatores nos levam a esperar um excelente Natal, mas com presentes mais simbólicos e de menor valor. Menos ostentação e mais realidade.
Exatamente por isso, o Black Friday está crescendo. Nessa data, as famílias compram os produtos que tinham desejo para consumo próprio sem remorsos ou culpa. Por outro lado, os lojistas estão se preparando melhor para a data, fazendo compras específicas para atrair mais clientes. Fazem grandes compras, com grandes descontos e ainda baixam suas margens para atrair mais clientes. Já tem lojista abrindo suas lojas à meia-noite com fila e segurança para atender melhor os seus clientes.
O mês de novembro vinha mal de vendas, com números de perda de 20% em relação ao mesmo mês de 2016. Depois do Black Friday, os números mudaram, as lojas passaram a ter um crescimento em relação ao mesmo mês de 2016: entre 5% e 10%. O mês foi salvo. E acredito que se abriu, mesmo, as compras para o Natal. No próximo ano, o Black Friday vai vender mais que o Natal.